Como os traumas se formam

O que é trauma?

O trauma psicológico é como uma ferida emocional que se forma quando vivemos algo maior do que conseguimos suportar naquele momento. Não é apenas o acontecimento em si que importa, mas a forma como sentimos, interpretamos e registramos aquela experiência.

Alguns traumas são fruto de eventos extremos, como abusos, violência ou acidentes. Outros surgem de vivências repetitivas, como críticas constantes, rejeição ou falta de acolhimento. Mesmo que, de fora, pareçam “pequenas coisas”, para quem vive, podem ser experiências profundamente dolorosas que deixam marcas.


Como os traumas se formam?

Do ponto de vista psicológico, os traumas se formam em três principais situações. Vamos entender cada uma delas com exemplos e a visão das terapias:

1. A experiência é maior do que a capacidade de enfrentamento

A pessoa sente que não consegue reagir, ficando impotente ou paralisada.

  • Exemplo: uma criança que presencia uma briga violenta entre os pais pode se sentir paralisada, sem recursos para se proteger.
    • Terapia do Esquema (TE): pode gerar o esquema de Vulnerabilidade ao Dano (“algo ruim pode acontecer a qualquer momento”).
    • Terapia Focada nas Emoções (TFE): a emoção principal é o medo, que não foi acolhido nem regulado. Na vida adulta, esse medo pode aparecer em forma de ansiedade ou sensação constante de perigo.
  • Exemplo: uma vítima de assalto que não consegue pedir ajuda pode carregar a sensação de fragilidade em outras áreas da vida.
    • TE: reforça o esquema de Desamparo/Incompetência (“não consigo lidar sozinho com os problemas”).
    • TFE: a emoção bloqueada é a impotência, que, se não trabalhada, pode se transformar em evitação e isolamento.

2. As emoções não encontram espaço de expressão

Quando sentimentos como medo, raiva ou tristeza são reprimidos e não têm espaço para serem processados.

  • Exemplo: uma criança que chora e ouve “engole o choro” aprende a esconder o que sente.
    • TE: surge o esquema de Privação Emocional (“meus sentimentos não importam, ninguém vai me acolher”).
    • TFE: a emoção central é a tristeza, sufocada e não validada. Isso pode gerar sensação de vazio e dificuldade em confiar nos próprios sentimentos.
  • Exemplo: uma pessoa que perde alguém querido e é pressionada a “ser forte” pode guardar o luto em silêncio.
    • TE: reforça o esquema de Inibição Emocional (“não devo demonstrar o que sinto”).
    • TFE: a tristeza profunda não vivida impede a elaboração do luto, podendo se manifestar em sintomas de depressão ou somatizações.

3. A experiência se torna parte da identidade

O trauma deixa de ser apenas uma lembrança e passa a moldar crenças sobre si mesmo e sobre o mundo.

  • Exemplo: uma adolescente constantemente rejeitada pode acreditar que “ninguém vai me amar”.
    • TE: nasce o esquema de Abandono ou de Defectividade/Vergonha.
    • TFE: a emoção central é a solidão, que não foi acolhida. Na terapia, o trabalho é ressignificar essa dor para reconstruir autoestima e confiança.
  • Exemplo: uma criança alvo de críticas severas pode crescer acreditando que é “incapaz”.
    • TE: forma o esquema de Padrões Inflexíveis/Exigência Excessiva, levando a perfeccionismo e autocrítica.
    • TFE: a emoção bloqueada é a raiva saudável, que deveria servir de defesa contra injustiças, mas foi sufocada e transformada em autocrítica.

O que isso significa na prática?

Enquanto a Terapia do Esquema mostra como os traumas criam padrões de pensamento e crenças desadaptativas, a Terapia Focada nas Emoções ajuda a acessar as emoções bloqueadas e dar novo significado a elas.

As duas abordagens se complementam:

  • A TE ajuda o paciente a entender “de onde veio esse padrão que repito na minha vida?”.
  • A TFE ajuda a sentir e ressignificar “o que eu realmente carreguei dessa experiência e como posso liberar essa dor?”.

Conclusão

Os traumas se formam quando experiências dolorosas ultrapassam a capacidade de enfrentamento e não encontram espaço para serem processadas emocionalmente. Com o tempo, essas vivências moldam crenças negativas sobre si mesmo e o mundo.

A Terapia do Esquema mostra como esses padrões se tornam rígidos e persistentes, enquanto a Terapia Focada nas Emoções revela as feridas emocionais que ficaram bloqueadas. Juntas, oferecem caminhos poderosos para ressignificar o passado e construir uma vida mais livre e saudável.


Referências

  • Greenberg, L. S. (2015). Emotion-focused therapy: Coaching clients to work through their feelings. Washington, DC: APA.
  • Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema therapy: A practitioner’s guide. New York: Guilford Press.
  • van der Kolk, B. A. (2014). O corpo guarda as marcas. São Paulo: Editora Elefante.

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